Letras por Letras


29/10/2005


Pôr do Sol


Foto: Luis Pinto www.olhares.com/egur

Estrada

Minha tarde ensolarada
Tornozelos feridos, ocultos em meus olhos úmidos...

esse jeito Lispector, que é brando
Se torna dominante.


Em um pensamento, esse sol  traz a verdade, traz o espelho, o mergulho profundo...
E eu não vou admitir o que sinto.
Não sigo o estilo, sou um estilo.

Depois de marés insanas
Tudo se cicatriza um dia,

O dia incide
Na tranqüilidade de nunca mais guerriar

Eles não sabem o que é isso.
Se a paz derrota interiores abstratos
Se a paz nunca silencia a teimosia...
Se a paz nunca moralizou
O seu lado mais hipócrita

Depois, tudo é rotina
E a poeira se assenta
Na face risonha,
Que de barro, é feita!

Clarice, que clareia a vida... vou banhar-me de ausência, vou sumir por enquanto, silenciar,
fugir para meu mundo, me encontrar para assim poder chegar.
Estou sempre viajando, estou sempre de volta... no mesmo instante em que me confunde querendo ir
Até a visão desconhecida.
Preciso ir......
Apenas ir.......

 

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Escrito por C.G. às 15h52
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28/10/2005


Foto: Rafael Almeida

 

"Eu"

 Por Iris Andellis

 

Eu que tanto fiz por você

Na fartura de seu vazio

Eu que tanto chorei

por te ver assim

Eu que tanto sonhei

na altura de seu beijo

Eu que tanto gritei

na bravura de tantos fins

Eu que tanto voltei atrás

Para preservar a paz

 

Sei que o único jeito

É partir, e seguir e seguir

Renascer, nascer e nascer

Deixando tudo ... lá atrás...

Deixando os sonhos

Na altura de algum futuro

 

 

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Escrito por C.G. às 00h49
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26/10/2005


Auto-Cópia
O poeta é um criador
Cria tão perfeitamente
Que chega a criar sem usar o sentido da dor

E os que vêem
Sentem, entende e não entendem
Que a poesia sem dor
Não tem cor

E assim na roda da vida
Gira, o compreender da razão,
Que o poeta muitas vezes
Usa e ouve apenas a inspiração
Se esquecendo que a dor, mais tijolos e suor
Há de fazer parte da bela construção

 

Escrito por C.G. às 16h26
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Poesia

Para perto dos meus olhos

             

 Foto: Alípio Padilha

Se algum dia

Distante estiver

Dos pensamentos

Não me acorde,

nem grite por mim...

Pois assim estarei indo embora

Por aquele deserto de ventos malucos

É que morremos por sonhos

É que vivemos de sonhos

 

Se algum dia

Apenas sentir meu sorriso

Minhas mordidas ou minha rebeldia

A paciência é um ato de amor

Junto da maçã de vidro

Ou da lágrima que marca você

Mas se algum dia

Me encontrar perto dos meus olhos

 

Não imagine

Apenas me sinta.

Escrito por C.G. às 16h18
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Foto: Joel Santos   www.joelsantos.net

 

A Terra

C.G.

 A minha terra é o sonho distante, cujo, o espelho reflete meus dois bois... gordos... de tanta  esperança.

O primeiro segue a própria fome saciando-a com a poeira levantada pelo vento

inexistente de qualquer nuvem milionária de água. O segundo, sacia a própria sede com

interesse perpétuo de rumar pelo seu único objetivo,

vida.

 

 

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Escrito por C.G. às 16h08
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 Perfeição
(Aviso: Querido Leitor, traga cadeira... porque o Crítico Literário
já tomou a sua frente)

O que falta?

Algo

Algo? Como algo?

Ah... sei lá, impulso...

E Poesia tem que ter impulso?

Claro, impulso e pulso

Que conversa? Poesia é Tijolo, Trabalho e Suor.

... desculpe pelo transtorno
estamos ... sempre...


[em Construção]

 

 

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Escrito por C.G. às 15h58
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Tupinambá- Tradição Oral Brasileira
 
Camdomblé caboclo recolhido por Camargo Guarnieri em Salvador, BA, no ano de 1937. Tupinambá foi o primeiro grupo indígena do Brasil que teve contato com os europeus  a partir das expedições do século XVI.
Do CD Anima (Especiarias)
 
 
Tupinambá vezê
 
Tupinambá vezá
 
Tupinambá vezê
 
Tupinambá vezá
 
Andei, Andei, no sertão
d´Azolanda
No sertão do Ceará
Andei, Andei, no sertão
d´Azolanda
No sertão do Ceará
 

Escrito por C.G. às 15h54
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24/10/2005


Poesias

 

Os dentes

os dentes

Riem pelo rosto todo
Cínicos,
Torpe,
Os dentes não cabem dentro da boca
Na boca
Melada de tanta ironia
Pelada de tanta desgraça
Tarada por tanta risada

Os dentes
Não piscam para as orelhas
Eles simplemente gozam
Mesmo antes da língua
Que de sabor
Só suporta o doce

Escrito por C.G. às 17h53
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Foto: cidade de Tupã (SP) onde eu nasci

Os interiores da minha vida
(Por Cintia Gushiken, em pessoa)

O tempo passa e precisamos acordar! Os dias geralmente são curtos e nos vemos exaustos, acabados, mortos a cada final do dia, assim, passam-se as segundas, as terças, as quartas, as quintas, os sábados e os tristes domingos que antecedem as raivosas segundas novamente. Por causa disso esquecemos simplesmente... de viver! E para os poetas, pessoas sensíveis, por excelência, esta rotina atrapalha com muita frequência a produção literária. O mundo mudou tanto e se transforma tão rápido que tudo explica que é natural nos tornarmos saudosistas, sentir saudades da infância, da vida de menino, que corria pelos sítios pensando ser pássaro voante.

Sim, os sítios, os interiores da vida. Bem, eu vim do interior, interior de São Paulo e eu tinha um quintal enorme para brincar, fazer travessuras e colher umas laranjas para se fazer sucos na hora. No quintal, lá de casa haviam três pés de jacas, um de abacate, outro de goiaba e muitos limoeiros, laranjeiras e um pé de tamarindo que teve ter hoje uns 80 anos. E eu subia nestes pés, geralmente enormes que me fazem lembrar daquele pequeno trecho em que diz Fernando Pessoa..."sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura".

Os interiores daqui do Rio Grande do Norte eu não conheço mas ei de querer ir um dia a esses lugares, todos os interiores devem ser mágicos e ter lá suas histórias, suas passagens, seus modos e tantas saudades sentidas pelos filhos que vem morar na capital. Chegou os festejos de São José e muitas cidades comemoram a esperança das chuvas sertanejas. Sinto  conhecer o sertão apenas por livros.

Os sertões dos livros, são ricos e universais. Guimarães Rosa uma fez foi perguntado sobre a maestria com que escrevia, como construía a metalingüagem, a metafísica e ele respondeu que viveu no interior de Minas Gerais, ouvindo deste cedo os mais velhos contarem histórias, contos populares, lendas da região, porque o sertanejo costuma contar muitas histórias, narrá-las e ele, Guimarães Rosa, ao invés de contá-las ele fazia o contrário, ele as escrevia mas usando seu estilo. Aí se construía contos, lendas, misticismo, metafísica, metalingüagem, regionalismo, cor local e a voz universal.
Guimarães, diz que ao invés de consultar os doutores de universidades ele preferia ouvir os velhos sertanejos nos dias de angústia.

E eu prefiro o mesmo, a vida do sertanejo é mágica, típica de imagens ideais para fotografias, aqueles rostos sofridos que viram muito o chegar das chuvas, as mãos calejadas, as histórias que viraram lendas nas regiões. Eu hoje acordei sentindo saudades do que eu ainda não conheci, saudades do meu interior que hoje ficou lá atrás, mas que ainda hoje ele insiste em vir comigo, assim como os vaga-lumes correndo pelo escuro daquelas matas...

Escrito por C.G. às 12h51
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