Desvendando Renata
Ela caminha descalça pela grama. Madrugada adentro ela anda, canta, dança, roda.
Noite chuvosa que sustenta seu sofrimento, folhas caídas no chão, folhas que forram o estômago.
Assim, ela constrói a própria história, os próprios momentos e minutos.
Passos que madrugam em apenas um, em apenas um só.
Renata, a pálida dama da noite, valsa com os olhos fechados e com a alma necessitada de complemento.
De uma busca que é imortal.
Renata espreme as lágrimas, logo o dia amanhece e vê-se diante do lago quase seco, quase sem vida.
Dia nublado revela o aroma da mata parasita celebrando as últimas gotas d’ água. Ela se aproxima, primeiramente molha os pés, os cantos do vestido que cobrem as pernas e por ser fino transparece a palidez do corpo tão desnutrido de encantos. O lago quase seco alcança os longos cabelos de fogo.
Seus olhos se perdem e ao sufocar-se com palavras, expulsa poemas instantâneos.

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