Letras por Letras


18/11/2005


Desvendando Renata

 (Parte I)

 Por Cintia Gushiken

Criado em 1999, Tupã (SP) antes da vinda à Natal

 

 

Ela caminha descalça pela grama. Madrugada adentro ela anda, canta, dança, roda.

Noite chuvosa que sustenta seu sofrimento, folhas caídas no chão, folhas que forram o estômago.

 

Assim, ela constrói a própria história, os próprios momentos e minutos.

Passos que madrugam em apenas um, em apenas um só.

 

Renata, a pálida dama da noite, valsa com os olhos fechados e com a alma necessitada de complemento.

De uma busca que é imortal.

 

Renata espreme as lágrimas, logo o dia amanhece e vê-se diante do lago quase seco, quase sem vida.

 

Dia nublado revela o aroma da mata parasita celebrando as últimas gotas d’ água. Ela se aproxima, primeiramente molha os pés, os cantos do vestido que cobrem as pernas e por ser fino transparece a palidez do corpo tão desnutrido de encantos. O lago quase seco alcança os longos cabelos de fogo.

 

Seus olhos se perdem e ao sufocar-se com palavras, expulsa poemas instantâneos.

Escrito por C.G. às 20h00
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Desvendando Renata

 

( Parte II )

Continuação

 

Minhas mãos se lançam para o céu

Eu proclamo feito palavras

‘Porque o grito’

Se perderá em algum silêncio

 

(sozinho)

 

Por seu nome

Pelo mínimo maior

Pelo máximo menor

E se esse complexo

Se denominar Renata

 

Não tente compreender

O porque da vida

Em mim,

Não mais habitar.

 

Palavras, gemidos e a mão amparando o ventre, dores agudas e graves, contrações... enfim, o útero expulsa a herdeira para o mundo do submundo. De tão frágil, Renata apenas sente forças para aquecer a pequena nos seus braços.

 

...

 

-Vida, a esperança está em você, eu sua mãe não consegui vencer as trevas e assim como seu pai, te deixarei neste mundo, mas não a esquecerei nunca, esteja eu onde estiver.

 

Vida,o início, atravessa os olhos da mãe e observa suas lágrimas que aos poucos se secam feito o lago quase sem vida.

 

Folhas que forram o estômago...

 

 

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Escrito por C.G. às 19h58
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